texto e fotos Por Renato Loose

Lomografia, prática analógica e experimental, vira febre e traz o jeito antigo de fotografar aos dias de hoje

Aquela viagem foi incrível. O final de semana merecia ser imortalizado. Uma câmera, vários filmes e a expectativa de conferir os negativos revelados. Aliás, a palavra revelar nunca foi tão adequada. Era a descoberta, a surpresa de abrir o pacotinho daquele “cine-foto” da sua rua, contendo 12, 24 ou 36 poses. Foi assim até a chegada das compactas digitais, seus diversos megapixels e a chance de apagar, refazer ou melhorar, instantaneamente, aquela imagem que não deu certo. A fotografia analógica parecia ter como destino os livros de história ou rodas de conversas norteadas pela frase “no meu tempo…”

Diferente das previsões mais pessimistas, a extinção não aconteceu. É verdade que houve queda na popularidade, porém, ainda há quem busque inspiração em elementos de estética vintage. Foi nessa esteira que a Lomografia ganhou força, graças à descoberta de dois estudantes austríacos. No início dos anos 90, a dupla se deparou com uma Lomo Kompakt Automa, uma câmera de plástico russa. Lomo seria uma sigla para Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie – União de Óptica Mecânica de Lemingrado – e representa uma empresa que começou a produzir equipamentos especializados por volta de 1930. O achado quase arqueológico foi testado. Cores vibrantes, vinhetagens e granulações revelaram imagens surpreendentes formadas pelas lentes daquela máquina de plástico.

Encantados pela “novidade”, os rapazes foram até a capital da ex URSS para licenciar a produção dessa câmera. Começava aí um movimento artístico ancorado por 10 regras de ouro (veja box abaixo). Há quem diga que a Lomografia vai além disso e ganha status de filosofia de vida.

Tempos Verbais

Em alguns anos, aquilo que havia sido uma redescoberta do passado transformou-se numa febre que abarcou outros tipos de máquinas que produziam efeitos semelhantes. De ícone cult à chegada ao dito mainstream, a Lomografia ainda conserva um pouco de experimental e alternativo. Suas imagens inspiram tratamentos automáticos para edições em programas como Photoshop e o desenvolvimento de aplicativos como o famoso Instagram, para IPhone. Tentativas de se aproximar dos efeitos produzidos pelas lentes de plástico.

Chegam perto, mas ainda não têm o charme de um filme naturalmente granulado, assim como não substituem a surpresa de se deparar com uma imagem imprevisível desenhada por uma luz indomável.

Talvez esse sucesso esteja relacionado a um momento em que há a valorização da prática da manufatura, do faça você mesmo, do produto desenvolvido quase sob medida, da exclusividade. Um outro ingrediente que integra a receita é a busca em práticas do passado por referências que, contextualizadas aos dias atuais, acabam por resultar em novas perspectivas artísticas. Lomografia é futuro do pretérito.

As 10 regras da lomografia:

1 – Leve a sua Lomo onde você for.
2 – Fotografe a qualquer hora do dia ou da noite.
3 – A Lomografia não interfere na sua vida, ela é parte dela.
4 – Tente fotografar de todas as maneiras.
5 – Aproxime-se dos objetos a serem lomografados o mais próximo possível.
6 – Não pense.
7 – Seja rápido.
8 – Você não precisa saber antes o que fotografou.
9 – Nem depois.
10 –  Não se preocupe com as regras.

Fonte: www.lomography.com.br

Clique!

São várias as opções para experimentar a lomografia. LC-A, Action Sampler, Super Sampler, Holga, Diana, Oktomat, Fisheye, entre outras câmeras. Cada uma apresenta características específicas que as transformam em objetos de colecionador. Veja algumas alternativas. Holga: uma câmera de formato médio, idealizada inicialmente para 120mm, mas que também possui versões próprias para 35mm. Uma boa ideia é adaptar filmes menores para modelos mais primitivos, como a 120N. O resultado é uma imagem que se espalha por todo fotograma. Para conseguir esse efeito, basta cortar dois pedaços de bucha para lavar louça e preencher os espaços vazios entre o rolo e o interior da máquina. Com ela também é possível realizar fotos em longa e/ou dupla exposição. Action sampler: de pequeno porte, esta câmera divide o fotograma em quadrantes. Apenas para 35mm, há no mercado versões com flash incluído. Ideal para fotografar objetos em movimento. Veja alguns dos modelos abaixo:

Action Sampler

Diana Mini

Holga 120 GCFN

lomo LC-A

Fisheye 2 Ripcurl

Lomo para assistir
Workshop de Lomografia

A ODD – Objetos de Design – revendedor autorizado da Lomography em BH separou uma tarde para desvendar o funcionamento das câmeras:

Lomomatrix - Aficionados pelas câmeras de plástico se reuniram no Ibirapuera, São Paulo, para reproduzir o Bullet Time, aquele efeito clássico de Matrix, com diversas máquinas:

Filme

Uma dica para conseguir cores diferenciadas é fazer o que se conhece por processo cruzado. Funciona assim: fotografe com filme próprio para câmeras e peça para revelar como se fosse cromo.

O inverso também dá certo. Outra boa opção é utilizar rolos vencidos ou estragados. Para digitalizar, tenha um scanner que faça a leitura dos negativos. Assim, a luz original é preservada.

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