por heloisa righetto

A queridinha dos britânicos

Como não cair de amores pelas criações de Donna Wilson? A designer britânica – nascida na Escócia – supera-se a cada temporada com suas coleções de acessórios (e mais recentemente, móveis) com forte apelo gráfico. Estampas que combinam cores ora mais vibrantes, ora em tons pastéis, mas sempre com uma bossa inconfundível, dão vida a peças tão comuns e batidas, como almofadas, mantas e pufes.

Ganhadora do prêmio “Designer do Ano” promovido pela revista Elle Decoration em 2010, Donna não é nada o que você espera que ela seja. Simples, divertida e acessível, ela não aparenta nenhum sinal de afetação, coisa comum em designers que caem nas graças da mídia e das grandes marcas europeias. Em meio a tecidos e muitos acessórios de costura, ela conversou com a Revista B sobre inspirações, carreira e como é seu ambiente de trabalho.

Você sempre soube que queria ser designer?

Desde pequena eu sempre desenhava e inventava de fazer coisas, e simplesmente adorava ter meu lápis em mãos! Eu não sabia exatamente o que queria ser, mas tinha certeza de que estaria relacionado com criação.

Como foi o começo da sua carreira?

Assim que me formei, em 1999, comecei trabalhar como designer assistente em uma empresa têxtil, onde fiquei por um ano. Então resolvi voltar a estudar e fiz um Master na Royal College of Art, em Mixed Media Textiles. Durante os estudos na RCA eu produzi algumas peças e cheguei a vendê-las em pequenas lojas em Londres. Essas peças estão na minha coleção até hoje, são bonecas com pernas bem compridas! A partir daí, desenvolvi outros personagens: criaturinhas esquisitas, às vezes com duas cabeças, às vezes com corpo desproporcional, mas todos com personalidade própria. Pra mim, quanto mais peculiar, melhor!

E como foi sua experiência na Holanda?

Fui para Maastricht como parte de um programa de intercâmbio. Foi uma experiência incrível, eu estava totalmente fora da minha zona de conforto, conheci gente nova e guardo alguns amigos até hoje, depois de 10 anos que voltei. Aconselho bastante fazer parte do seu curso em um lugar diferente.

Onde você procura inspiração?

Em todo e qualquer lugar ou situação, mesmo! Meu entorno, músicas, sonhos, revistas, pessoas. Às vezes um mero detalhe chama minha atenção e torna-se o início de um projeto.

Hoje em dia você tem uma equipe trabalhando em seu estúdio. Como é o ambiente de trabalho?

O time é fantástico e cada um tem tarefas bem importantes, essenciais para o funcionamente do estúdio. Somos em cinco pessoas fixas, além de três ou quatro colaboradores com os quais traba-lhamos eventualmente.

Como surgiu a ideia de vender online?

Eu montei um site assim que terminei o Master na Royal College of Art, afinal era um jeito de possíveis compradores – lojas e consumidores finais – saberem um pouco mais sobre mim e meu trabalho. Esse primeiro site era simples, praticamente todo desenhado a mão, tinha uma ou outra animação com os meus “personagens”. Era legal pois mos-trava que eu estava apenas começando, era bem independente e poderia apenas assumir pequenos pedidos. De lá para a venda online foram seis anos de trabalho intenso, e hoje o e-commerce é parte importantíssima do negócio.

Qual a melhor parte do seu trabalho?

Criar, mas apenas mais recentemente eu tenho me permitido fazer isso, por incrível que pareça. Eu costumava rabiscar minhas ideias voltando pra casa, no ônibus, em qualquer pedaço de papel. Mas há alguns meses eu tenho dedicado tempo para montar moodboards, desenhar, sentar e mexer na minha máquina de costura. Nessas horas eu lembro o quanto é bacana trabalhar com criação, todo mundo deveria tentar!

Em que projetos você está trabalhando no momento?

Estou trabalhando na criação da coleção outono/inverno 2011/2012, e também desenvolvendo algumas novas estampas para almofadas e mantas, assim como um livro de atividades para crianças.

Bate bola com Donna Wilson

Lugar preferido: Pennan, é uma vila de pescadores minúscula no nordeste da Escócia. É linda, singular, e o melhor é que vai continuar assim, já que o crescimento é impossível devido a sua posição geográfica, em meio as montanhas. Minha avó costumava me levar até lá quando eu era pequena.

Música preferida: Fever Ray.

Signo: Virgem.

O que faria se não fosse designer: Provavelmente trabalharia com algo ligado a animais.

Pratica algum esporte: Eu tento nadar pelo menos uma vez por semana, em uma piscina pública no leste de Londres.

O que mais gosta de fazer em Londres: Andar de bicicleta na beira do canal que une Dalston a Islington, e prestar atenção na arquitetura.

Qual foi o último lugar que você visitou, fora do Reino Unido: Estive em uma ilha perto da costa do Canadá, chamada Fogo. Apenas 2500 pessoas vivem lá, é bem isolada, cheia de casinhas de madeira e barcos!

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